Escassez da água: O que ela causa e o que nós podemos fazer a respeito

Escassez da água: O que ela causa e o que nós podemos fazer a respeito

O que é a Crise Hídrica

A crise hídrica, relacionada à escassez de água em reservatórios e secas inconstantes, se reflete em um fenômeno comum nos últimos anos: o racionamento de água para fins energéticos e de consumo. Uma vez que a demanda por esse bem mundial vem aumentando em razão do crescimento populacional, que pede por acesso a energia e alimentos em maior escala, esse fenômeno tem sido a urgente alternativa para diversas regiões no país. E as causas principais da atual e crítica falta de acesso à água se devem, principalmente, ao uso ineficiente das águas residuárias, a poluição e superexploração das reservas.

O relatório de março desse ano do Conselho Mundial da Água revelou que há 923 milhões de pessoas sem acesso seguro a água potável no mundo. No Estado de São Paulo, por exemplo, a crise afeta reservatórios que atendem à populações numerosas, como a própria capital e região metropolitana. Ali, a Cantareira e Alto Tietê estão com níveis críticos. O volume morto da Cantareira preocupa profissionais desde maio do ano passado.

A seca também tem elevado o número de municípios, desde 2003, que anunciam estado de calamidade pública. Segundo o jornal Folha de São Paulo, entre 2003 e 2015, esses episódios aumentaram em 409%. As maiores críticas frente a esse cenário são de que as soluções parecem só atender aos problemas a curto prazo, e não melhoram a gestão desse recurso como um todo.

Além disso, em função das mudanças climáticas, tem se notado um aumento de temperaturas do Oceano Pacífico, o que altera o movimento das massas de ar. Isso afasta, por exemplo, chuvas na região do Nordeste do país e causa secas que não estariam previstas no período.

E como essa crise infere sobre a energia elétrica?

A matriz energética do Brasil é composta de 64% de hidrelétricas, produzindo cerca de 99 milhões de kW. Em função desses episódios de crise hídrica, a ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) divulgou estimativas recentes de um aumento médio, ainda este ano, entre 8% e 9% nas tarifas de energia, e de para 20% ou 30% para indústrias que usam altas cargas ou tensões. Mesmo que não definitivo o aumento, o cenário mostra claramente como a dependência energética no setor hídrico no país precisa ser retrabalhada, e possíveis respostas para isso seriam o uso das novas fontes de energias limpas, que podem complementar a força hídrica ou até mesmo substituí-la.

No entanto, o governo ainda não se comprometeu amplamente em transmitir energia através de outras fontes renováveis, porque o Ministério de Minas e Energia ainda tem optado por importar energia de países do Mercosul e usado termelétricas para atender horários de pico, matriz mais custosa e que traz um aumento conta de luz nos períodos onde a bandeira tarifária é maior.

Como podemos reverter esse quadro?

A instalação e transmissão de outras fontes renováveis, como eólica e solar, são a possível solução a médio e longo prazo para o país. Mesmo que ainda tímidas, elas revelam-se promissoras, pois as projeções para os próximos em termos de capacidade instalada são otimistas. Segundo a ABSOLAR – Associação Brasileira de Energia Solar -, nos próximos quinze anos, a matriz fotovoltaica deve atingir 30 GW, o equivalente a quase três Itaipus. Além disso, de acordo com ranking divulgado pela Global Wind Energy Council (GWEC), organização internacional especializada em energia eólica, houve uma expansão de 2.014 MW na geração dessa energia no país em 2016.

Porém, esse progresso só será atingido se houver empenho da população em aderir às novas formas de energia. Cabe, também, a cada um alertar-se sobre a necessidade da instalação dessas e de se comprometer em uma maior conscientização sobre o assunto. Ao poder público, espera-se maior número de campanhas e subsídios para essas fontes, a fim de que elas se tornem cada vez mais populares e acessíveis.

Já pensou em fazer parte dessa onda de consumidores sustentáveis? Vem entrar nessa com a gente!

 

Escrito por Paula S. Campioni

Referências

  1. http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2017/03/1868239-alertas-de-seca-disparam-no-brasil-e-crescem-409-em-periodo-de-13-anos.shtml
  2. 2. http://g1.globo.com/jornal-da-globo/noticia/2015/08/escassez-da-agua-ja-afeta-mais-de-40-da-populacao-do-planeta-terra.html
  3. http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/ciencia-e-saude/2017/03/23/interna_ciencia_saude,582940/escassez-da-agua-torna-urgente-a-pratica-de-reciclagem-hidrica.shtml
  4. http://www2.aneel.gov.br/aplicacoes/capacidadebrasil/OperacaoCapacidadeBrasil.cfm
  5. https://www.oeconomista.com.br/crise-hidrica-afeta-distribuicao-de-agua-e-energia-eletrica-no-pais/
  6. http://www.brasil.gov.br/infraestrutura/2017/03/brasil-e-o-maior-gerador-de-energia-eolica-da-america-latina

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