Diferenças entre energias renováveis e limpas: Afinal, existe diferença entre elas?

Diferenças entre energias renováveis e limpas: Afinal, existe diferença entre elas?

No âmbito da produção de energia elétrica, o termo sustentabilidade tem ganho cada vez mais espaço. Observa-se um esforço global em introduzir novas fontes de energia, limpas e renováveis, seja através de conferências, como a COP 21 em dezembro de 2015, na recente estrada pavimentada de painéis solares na França, em parques eólicos offshore na Dinamarca ou nas mais de 1 milhão de residências com painéis solares na Austrália.

O apelo pelas fontes renováveis e limpas tem vindo com uma força bem mais acentuada nos últimos 15 anos e, por conta disso, é comum associar energias renováveis com energias limpas, como se os termos fossem sinônimos. De fato, é possível encontrar casos em que uma fonte de energia é renovável e limpa, porém existem outros em que é importante saber desassociar os termos para que conceitos e fundamentos práticos não se confundam.

Basicamente, quando uma fonte de energiar é renovável, significa que a energia é produzida com o uso de recursos naturais que se renovam ou podem ser renovados. O conceito existe em oposição ao da energia não renovável, gerada por combustíveis fósseis, como petróleo, gás natural e carvão mineral, cujas reservas são finitas e não cíclicas.

A mais antiga energia renovável em uso é a queima de lenha, uma vez que replantar as árvores garante seu suprimento. Além dela, existem as energias produzidas pelo movimento da água (por meio de turbinas, nos rios ou nas ondas do mar), pela luz solar, pelos ventos e pelos biocombustíveis. Em suma, assume-se que uma energia é renovável se sua fonte principal é ativa e cíclica, isso é, possua um ciclo de geração e uso.

A energia renovável, no geral, pode levar a uma produção mais sustentável, porém, para que se garanta essa sustentabilidade, é preciso que os meios de produção estejam em coesão com o ambiente produtivo. A água é sustentável desde que seus mananciais e o fluxo sejam preservados, o que implica em compreender e respeitar o seu ciclo natural. A lenha, nesse aspecto, não será sustentável caso o desmatamento seja demasiado e interfira nos ciclos ecológicos do local.

A confusão surge quando sustentabildade e renovabilidade são associadas com baixos níveis de impacto ambiental. A energia limpa, vem, portanto, como o termo que refere-se à uma fonte que possui impacto ambiental baixo considerando-se certos critérios de impacto, como emissão de gases do efeito estufa, diminuição da biodiversidade e alterações físicas/químicas no ecossistema. Ser renovável, no caso, não implica em ter uma cadeia de produção limpa. A queima da madeira, por mais que entre na categoria de renováveis, não é considerada limpa, pois provoca a emissão de gases poluentes e desmatamento.

Assim sendo, a energia limpa é aquela que não polui, ou que polui muito menos que as tradicionais – e é fundamental estabelecer, dentro desses conceitos, os critérios que definem uma fonte de energia não poluidora. Na produção e no consumo, os exemplos mais comuns são a energia éolica e a solar. Isso não siginifica que essas não causam impactos, mas sim que eles podem ser mitigados ou reduzidos mais facilmente do que quando comparadas às demais fontes.

No Brasil, por ser um país marcado pela energia hidrelétrica, cuja matriz corresponde a cerca de 70% do total, associa-se erroneamente a mesma como uma fonte limpa e renovável. Ela é, para alguns especialistas, uma fonte renovável, pois utiliza de um recurso cíclico, a água. Porém, na maioria dos projetos, que não pesam e mitigam os danos que suas construções causam ao meio ambiente e não apuram possíveis alagamentos e interferências nas populações que habitam a região, essa energia não pode ser considerada limpa. Há ainda quem acuse que esse recurso também não é sustentável, pois os danos causados no ciclo da água na região são irreversíveis.

O que define o grau de impacto ambiental e sustentabilidade de um recurso energético são os critérios estabelecidos pela sociedade ou órgãos ambientais. Isso significa que, quando os termos forem associados, é preciso saber quais são os critérios comparativos que levaram a essa associação. A busca por energias limpas e renováveis tem que ser contínuo, assim como o discernimento entre os fundamentos trazidos por elas.

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Muito obrigada!

Escrito por Paula S. Campioni

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