Matriz Elétrica Brasileira: Você a conhece?

Matriz Elétrica Brasileira: Você a conhece?

Existem alguns pontos importantes sobre o modelo de desenvolvimento do setor elétrico brasileiro que valem a pena ser levantados e discutidos. Muitos deles positivos, em termos de geração de energia renovável e menos poluidora. Existe uma participação atual de 7,7% das energias eólica e solar, mostrando que, mesmo sendo iniciativas recentes, elas têm o poderio de participar cada vez mais substancialmente. Já são 470 parques eólicos e 60 parques solares espalhados pelo país, segundo o site da ANEEL em 11 de Outubro de 2017. O Nordeste desbanca como a região onde a sua geração é a mais limpa dentre as demais.


Em contrapartida, encontram-se outros pontos nos quais a matriz energética brasileira ainda não se adequou, muito possivelmente porque os assuntos não são do gosto das empresas ou órgãos governamentais, pois vai de encontro com os impactos negativos de seus empreendimentos e volumosos subsídios que ainda incidem sobre eles.

Estação de Energia Elétrica – Um dos destinos da Matriz Energética


A dependência de cerca 26,7% de usinas termelétricas tem claramente trazido danos quando se trata de poluição ambiental. Muito embora existam iniciativas que busquem trabalhar com insumos renováveis, como a cana de açúcar, a produção, em 2010, de toneladas de CO2 por termelétricas de gás natural foi de 13.129.981 de toneladas. Isso significa que, além da própria queima, a extração do insumo compromete ambientalmente o bioma. Registrou-se, nos últimos anos, uma descompensação climática em função das queimas, reduzindo a umidade em regiões onde a queima é deliberada ou até mesmo ilegal.


Outro ponto importante de discussão advém das usinas hidrelétricas. Desde meados de 1960, as usinas hidrelétricas começaram ter protagonismo dentro da matriz energética brasileira, e hoje, considerando as pequenas centrais, elas correspondem a cerca de 64% dessa matriz. Porém, por mais que elas tenham um apelo renovável, as hidrelétricas contribuíram com 36.448.295 toneladas de CO2 em 2010, significando que sua construção e operação geram danos ao equilíbrio da biota onde o projeto foi instalado. Já as energias consideradas limpas, emitiram cerca de 23.337 toneladas de CO2. Número impactante, claro, mas significantemente menor que os demais.


Além disso, uma das principais causas da migração forçada no Brasil são as barragens. O Instituto Igarapé analisou os custos socioeconômicos de cerca de 80 barragens construídas no Brasil desde os anos 2000. Após avaliar os dados, o Instituto estima que entre 150 e 240 mil brasileiros foram forçados a deixar suas casas em função da instalação dessas barragens.Esse impacto social ainda não teve suas consequências medidas, mas certamente elas já vem sendo sentidas há anos.


Enfim, o objetivo desse texto é demonstrar que a matriz energética brasileira, por mais que tenha um teor de renovabilidade considerável frente a outros países e ganho fama internacionalmente, precisa muito ser rediscutida quando o assunto é poluição, alteração do clima, emissão de CO2 e impactos sociais não discutidos pelo público em geral. O essencial é continuar discutindo, buscando, inovando. A energia é um setor cada vez mais crucial e constante. Portanto, tratar de energia solar é tratar do nosso cotidiano e dos nossos alcances, pois atualmente representa a grande oportunidade para que o Brasil possua energia suficiente para retomar seu crescimento econômico. E é preciso fazê-lo todos os dias.

 

Escrito por Paula S. Campioni

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