DIVERSIFICAR A MATRIZ ELÉTRICA É INTELIGENTE

DIVERSIFICAR A MATRIZ ELÉTRICA É INTELIGENTE

A geração de energia elétrica a partir de fontes limpas e alternativas é extremamente importante para atingir a sustentabilidade em cada um dos seus pilares. Ambientalmente, estas fontes não emitem poluentes em sua operação. Economicamente, apresentam vantagens devido à sua oferta gratuita em contraste com o custo de combustíveis, como no caso da geração termoelétrica convencional. Socialmente, estas fontes geralmente são caracterizadas por uma geração distribuída, ou seja, diversos centros de produção de energia espalhados. Assim, costumam estar mais próximas aos centros consumidores. A geração distribuída permite também uma melhor distribuição de renda ao quebrar a lógica de que apenas atores com alto poder econômico possam investir nestas fontes. Neste cenário, destaca-se a possibilidade do indivíduo ser auto produtor de energia, assumindo ganhos econômicos ao decidir gerar sua própria energia de maneira limpa e sustentável.

Uma das principais críticas à expansão da geração de energia elétrica a partir de fontes renováveis alternativas (ou seja, solar fotovoltaica, eólica e pequenas centrais hidrelétricas) se baseia no fato de que estas são muito sensíveis à flutuabilidades naturais, como a escassez  de chuva, vento e baixa incidência solar. Esta flutuabilidade poderia levar à uma crise de abastecimento de energia, e evitar esta crise é crucial para garantir segurança energética. Porém, num país que depende imensamente de grandes centrais hidrelétricas como o Brasil, esta segurança simplesmente não existe. Nossa população sabe que períodos de seca levam à racionamentos, e o  temor de um apagão é uma realidade em estiagens severas.

No entanto, o Brasil pode contar  com mais um privilégio dado pela natureza, se souber se aliar à ela.  Acontece que a força dos ventos no Brasil é maior justamente quando chove menos. Diversos estudos acadêmicos e também de agências  como a Empresa de Pesquisa Energética –  EPE trazem gráficos que são impressionantes: observa-se que toda vez que o nível de água dos reservatórios começa a diminuir, a velocidade dos ventos passa a aumentar. E quando a velocidade dos ventos  é reduzida, o nível dos reservatórios aumenta.

Este fato, conhecido pelos especialistas como complementariedade hidroeólica, enfraquece a crítica a respeito da segurança de suprimento de energia quando gerada a partir dos ventos. Isto porque na realidade a inserção da energia eólica na realidade aumenta a segurança energética do Brasil, ameaçada em períodos de seca.

Além da vantagem da complementariedade hidroeólica, estuda-se a possiblidade de se usufruir também da complementaridade entre energia eólica e energia solar. Sim, pois o sol e o vento também tendem a produzir mais energia de maneira alternada. Esta variação é resultado do fato de que o vento no Brasil é mais veloz no inverno, além de ser mais veloz em períodos de baixa insolação em diversas localidades potenciais. Assim, combinar turbinas eólicas e placas fotovoltaicas em um mesmo local resulta em maior estabilidade da matriz energética.

Outra crítica grande em relação às fontes alternativas é a necessidade  do uso de muitas baterias para lidar com esta flutuabilidade da produção de energia elétrica. Neste caso, as complementariedades apresentadas diminuem a necessidade de baterias e outros sistemas de armazenamento. Em um sistema combinado, a produção de energia é mais constante, e o armazenamento é necessário justamente para lidar com flutuações, ou seja, períodos de muita produção seguidos por períodos de pouca produção de energia.

Deste modo, as formas de geração de energia renovável alternativas tornam-se mais interessantes quando combinadas, desconstruindo críticas à segurança energética e ao alto custo devido à sistemas de armazenamento de energia.

 

Guilherme Justino

GreenBras Energia Limpa

 

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